O que faz você feliz?
Esses dias eu conversava com a minha mãe enquanto víamos televisão. E eis que passa o comercial do supermercado Pão de Açúcar. [Muito conhecido e muito comentado] Hoje em dia poucos são os programas [ou propagandas] que passam na televisão brasileira que valem à pena a família sentar no sofá em frente à televisão e ver. Esse comercial é um dos que valem. Até agora eu estou boba com o tipo de conversa que este comercial de 30 segundos nos rendeu.
Eu fui arrebatada até os confins da minha ínfima memória. Fui arrancada do meu presente e jogada em um passado feliz. Um passado que eu não recordava ser tão alegre. Aquele momento em que a minha mãe falava das coisas que tinham gostinho de infância para ela permitiu que os meus pés saíssem do chão. Permitiu que a minha memória começasse a dar sinais de vida, e que sinais.
Por um momento eu fiquei pensando o que é ‘gostinho de infância’, parecia ser apenas mais um termo saudosista, mas eu sabia que não era isso. Eu apenas não sabia o significado. Eu já tinha embarcado no meu túnel do tempo, era tarde demais para voltar atrás.
Lembrei de várias coisas gostosas que eu fazia com os meus amigos. Brincadeiras inocentes, felizes e às vezes até idiotas, mas que me faziam feliz. Hoje em dia quase não nos vemos mais fora das minhas memórias e lembranças. Uma das coisas que eu mais me lembro é a primeira gripe do ano, ops, a primeira chuva do ano. Não importava o que estivéssemos fazendo a primeira chuva do ano era ‘batata’ ter banho de chuva. Jogos de tabuleiro. Stop, Queimado, Pique-bandeirinha, lata, esconde, alto, parede e todos os outros piques existentes.
Semana passada eu experimentei outra coisa gostosa da nossa época. Faltou luz na minha rua e como de praxe ficamos na rua, conversamos e relembramos os velhos tempos. Mas eu cheguei a uma conclusão, os velhos ficaram velhos demais para curtir a vida. Será que isso tem jeito? Nós mudamos, crescemos, nos afastamos. Será que isso tem jeito?
Mas... O que me faz feliz?
Saber que eu tenho amigos. Saber que eu vivi e vivo. Saber que está tudo ao meu alcance. Poder fazer uma panela de brigadeiro, ou um tabuleiro de pão de queijo para servir de motivo para ter amigos aqui comigo. É poder dizer ‘vamos ao cinema’ e não ver filme nenhum só porque ficamos tricotando o filme inteiro. Ou até mesmo ir ao cinema e ver o filme de olhos fechados, pois detesto filme de terror, mas meus amigos gostam. O que me faz feliz é poder me alegrar com as pequenas coisas, mas que com a companhia certa se tornam imensas, incríveis, perfeitas!
Finalmente pude sentir o que é ‘gostinho de infância’. Para mim é fazer coisas simples, coisas que eu fazia na infância e não me preocupava com repreensões.
Uma ótima semana!


