Ontem no meio de um silêncio maravilhoso em casa minha mãe virou e falou: "O ano já acabou!!!" Primeiro que me incomodou, já que essa é a frase que todos nós mais iremos ouvir até 31 de dezembro. Mas depois refletindo eu percebi que realmente é isso. Parece que foi ontem meu aniversário. E olha que foi em março. As lembranças do carnaval ainda estão tão vivas, é muito estranho isso sim. Não é que o ano passou rápido, é que o ano foi atarefado, foi prazeroso. Este ano eu estudei, trabalhei, sai muito. Em resumo fui feliz demais. Lógico que não o tempo todo, mas fui feliz nos momentos certos.
Eu confesso que abandonei o blog, mas como eu senti falta. Percebi que no intervalo dos meses que eu não deixei jorrar de mim aqui eu estava crescendo. Isso me incomodou bastante, principalmente quando eu sentava aqui na frente do computador e sentia que eu não tinha nada o que falar. Parecia que eu estava completamente vazia de palavras. Não era nada disso. Minha impossibilidade de escrever deveria apenas me mostrar que estava sendo criado mais espaço para mim, para que eu pudesse conter mais, ser mais, aprender mais. Fiz tudo isso, nossa... Como aprendi. E sinto que ainda tenho espaço a ser preenchido, porém agora já está tudo mais organizado na minha mente. Meus olhos agora veem de forma diferente!!!!
Soa-me até estranho o que eu vou contar, mas é a verdade.
Logo na primeira aula no segundo semestre da faculdade, na aula de literatura brasileira, o professor, que escrevera um livro havia pouco tempo, resolveu sortear um à turma. Eu, uma pessoa sortuda [nunca participe de sorteios comigo], lógico que ganhei. Lembro-me como hoje, todo mundo se mordendo de raiva na novata que puxou matéria do terceiro período, mas nem liguei. Quando entrei no ônibus para vir pra casa resolvemos abrir o livro [ eu e minha amiga Fabi]. Nossa... Como eu fiquei chocada com o que eu li... Se não tivesse tanta melanina na pelo juro que eu ficaria vermelha, vermelha não, roxa. Fiquei muito constrangida com os poemas que meu professor colocou no livro. Quando cheguei em casa coloquei ele na estante e nunca mais mexi. Até hoje né... Depois de três anos de faculdade de letras eu posso entender não só a eroticidade dos poemas, mas também a modernidade contida em cada um. Vejam essas duas estrofes de um mesmo poema. Nada de colocar poema inteiro, pois são muito longos.
[...]
Gosto dos meus
do meu tempo, do meu cio
do meu ócio, do que não fiz, prezo imensamente
minha não-realização milagrosa, minha inércia
extraordinária,
merecedora da minha mais profunda reverencia embevecida.
[...]
Gosto dos meus
e não dos Teus,
que, com certeza divina,
só velam por Si.
É certo que não há coisa melhor que crescer. E eu ainda tenho um mês de muitas coisas para fazer!!!!
